“Hoje em dia, ficou muito fácil viabilizar
um livro do ponto de vista tecnológico”. É o que pensa o
poeta “marginal” Francisco Espinhara, cujo último
trabalho,
Bacantes, foi concebido de maneira
completamente independente.
A impressão de Espinhara tem sua razão de ser. Ela é
corroborada por Tarcísio Pereira, diretor da Livro
Rápido, editora virtual que radicalizou o conceito de
“do it yourself” no mercado pernambucano. “Essa coisa de
guardar na gaveta já era. Com R$ 200 você faz um livro”,
avisa Tarcísio. O segredo está na interface tecnológica
da Livro Rápido.
A editora, que completa quatro anos em novembro, foi
fundada para aproveitar o parque de impressão do
provedor Elógica, que usa sistema a laser. “Em off set,
não seria viável”, esclarece Tarcísio. E continua: “Nós
começamos tabalhando praticamente nas sobras de máquina
da Elógica”. Um tempo, diga-se, cada vez mais distante.
A editora já publicou cerca de 800 títulos e mantém a
impressionante média de quase um livro novo por dia. “É
gente não só de Pernambuco, mas do Brasil todo. De
Natal, do Ceará, do interior de São Paulo”, diz o
editor.
Nessa multidão de autores, já é possível identificar
alguns filões e até um best-seller. “Chega muita gente
transformando tese em livro, é um canal que está
crescendo muito. Tem um advogado, o Roberval Rocha, que
encontrou um filão na área de direito. Ele analisa os
julgamentos do TST e do STJ e vende muito para o pessoal
que vai fazer concurso. Já são 12 títulos lançados desde
2003. E ele vende bem não só no nosso site, mas também
nas livrarias”, conta Tarcísio, sem, no entanto, deixar
de fazer uma ressalva: “Nossa editora é uma editora
trampolim. Alguns autores fazem 20, 30 exemplares e
mandam para as grandes editoras ‘convencionais’”. É uma
opção inteligente, já que, dessa forma, fica mais fácil
para o editor visulizar o produto pronto e, assim, o
“poder de fogo” do autor.
Quanto ao modus operandi para quem quiser se arriscar
por essa seara, Tarcísio dá a receita: “O autor traz o
trabalho e a Livro Rápido atua em termos de diagramação
apresentação, capa, orelhas, ficha catalográfica, ISBN,
código barra, etc. Nós não colocamos em livraria, mas
ajudamos os autores a colocar. Nosso lado comercial é
principalemente através do site. Quem diz o preço do
livro é o autor. A editora fica com 10%, mais os custos
de produção. Nessa etapa, o autor não investe nada”,
afirma.